Um estudo divulgado pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais concluiu que a proposta de redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, atualmente em debate no Congresso Nacional, tende a gerar baixo impacto estrutural e financeiro para a maioria das prefeituras mineiras.
O levantamento foi elaborado pela Diretoria de Fiscalização Integrada e Inteligência (Suricato) do Tribunal e analisou 767.371 vínculos de trabalho registrados no Cadastro de Agentes Públicos do Estado e dos Municípios de Minas Gerais (CAPMG), considerando informações do primeiro trimestre de 2026.
Maioria dos servidores já trabalha até 40 horas semanais
Segundo o estudo, 92,1% dos vínculos analisados já operam com jornada de até 40 horas semanais, enquadrando-se nos limites previstos pela Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que pretende instituir a escala semanal de cinco dias de trabalho por dois dias de descanso (5×2).
A distribuição das jornadas demonstra que:
- 16,4% dos vínculos possuem carga horária de até 20 horas semanais;
- 30,9% trabalham entre 20 e 30 horas semanais;
- 44,8% cumprem jornadas entre 30 e 40 horas semanais;
- Apenas 7,9% possuem jornadas superiores a 40 horas semanais.
De acordo com o Tribunal, esses dados indicam que a estrutura administrativa geral das prefeituras e suas folhas de pagamento não sofreriam impactos sistêmicos ou generalizados caso a proposta seja aprovada.
Saúde apresenta jornadas diferenciadas
O estudo analisou separadamente os profissionais médicos, que representam cerca de 1,9% dos vínculos avaliados.
Entre esses profissionais:
- 45,7% cumprem jornadas de até 20 horas semanais;
- Apenas 4,6% possuem carga horária superior a 40 horas semanais.
Segundo o levantamento, esse perfil decorre principalmente da possibilidade legal de acumulação de cargos e da contratação por plantões.
Educação já opera com cargas reduzidas
Na área da educação, foram avaliados 174.491 vínculos de professores da rede municipal.
Os dados apontam que:
- 69,8% dos docentes trabalham entre 20 e 30 horas semanais;
- Apenas 1,7% possuem jornada superior a 40 horas.
O setor educacional apresentou uma das menores incidências de jornadas extensas entre as categorias analisadas.
Maior impacto está concentrado em funções operacionais
A categoria denominada “outros vínculos”, que engloba motoristas, guardas municipais, coletores de lixo, operadores de máquinas e técnicos de manutenção, concentra o maior percentual de jornadas acima de 40 horas semanais.
Nesse grupo:
- 55,4% trabalham entre 30 e 40 horas semanais;
- 9,9% possuem jornadas superiores a 40 horas.
Segundo o estudo, é nesse segmento que eventuais adequações administrativas poderão ser mais necessárias caso a proposta avance.
Pontos de atenção para os municípios
Embora o levantamento indique baixo impacto geral para as administrações municipais, a eventual aprovação da PEC exigirá análise individualizada das estruturas de pessoal, especialmente nos setores que mantêm jornadas superiores a 40 horas semanais.
Os gestores deverão acompanhar a tramitação da proposta e avaliar possíveis reflexos sobre:
- Escalas de trabalho;
- Dimensionamento de equipes;
- Necessidade de novas contratações;
- Organização dos serviços essenciais;
- Planejamento orçamentário e financeiro.
O estudo do TCEMG reforça que, no cenário atual, a grande maioria dos vínculos municipais mineiros já se encontra compatível com a jornada proposta, indicando que os impactos tendem a ser concentrados em situações específicas e não de forma generalizada.
Fonte: TCE-MG
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